O ABRAÇO DA MONTANHA
Por RedaçãoRecebi este texto de um amigo muito especial e gostaria de compartilhar com os leitores desta coluna. Abraços, Vera Vilma.
Por: Antônio José Corrêa
Hoje, no único dia que há, a montanha estava fria! Não como sempre, mas com um frio especial, que entrava pelas camadas do anorak, atravessava a camada mínima de gordura que seu corpo esguio apresentava e batia lá dentro, doído.
Havia anos que ele subia aquela montanha. não que fosse uma montanha especialmente bela, belas todas são, nem especialmente fácil ou difícil. Simplesmente era a montanha que seu filho mais gostara.
Com o tempo, se tempo houvesse tido, seu filho teria conhecido e, provavelmente, gostado de outras montanhas, mas aquela havia sido sua preferida, em sua curta (demais) passagem por este plano.
De qualquer maneira, a alegria que se espelhava no sorriso do filho, quando convidado a “dar um passeio na montanha”, era a lembrança que ele mais cultivava, com todo o amor que sobrava, agora sem alvo.
Mais dois lance e ele chegaria ao pequeno platô, de onde se divisava o vale, à distância, com seus sons e suas cores.
A partida havia sido rápida, sem avisos, sem sofrimento. Um sorriso, uma bênção, um suspiro. Depois, o misto da saudade triste e da certeza feliz o mantinha seguindo o caminho.
O frio agora, enrijecia as juntas, tornando mais difícil o gesto tantas vezes repetido.
No cume, à sua espera, um sorriso, aquele sorriso, um abraço e as palavras:
- Obrigado pela oportunidade de ter vindo… Teu filho!
Agora, voltar… avançando.
Vera Vilma Fernandes Leite vefele@hotmail.com
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18/05/2012