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GAZETINHA PODE CHAMAR ASSIM QUE A GENTE GOSTA
Publicado: 16/02/2012 | 00:29

O tempero dos vizinhos

Por Redação

Seu Tranquilo Favero que faça-me o favor, há certas coisas que é difícil até para se pensar, e menos ainda dizer. Que ele é ou foi vítima de muitas ações de grupos extremistas ligados aos campesinos, o mundo todo já sabia, aliás, a pose de vítima lhe caia melhor. Do nada se transformou em alguém bem oposto ao nome. O desabafo pode lhe criar muitos problemas, pois feriu os paraguaios de uma forma deselegante e grosseira e não apenas os que reivindicavam terras. Tomara não tomem as palavras e o pensamento dele como sendo dos demais brasileiros que cultivam terras, criam gados e possuem negócios no Paraguai.

 A verdade é que muitos brasileiros não conhecem de fato o temperamento dos paraguaios. Por trás daquele jeito simples, os trejeitos guaranis e os modos aparentemente rústicos, o cidadão paraguaio é extremamente sensível; é habilidoso em matéria de política e uma de suas características mais marcantes é a persistência. São amáveis de tudo, mas não devem ser chamados para a briga. Defendem o terreno com a ferocidade de um vietnamita. E quem não quiser ver o Paraguai se transformar no Vietnã das Américas, que não se meta à besta.

 Em minha opinião, a diplomacia paraguaia deveria ser matéria ou estudo no Instituto Rio Branco, mirem pela construção de Itaipu. Foi respeito dos brasileiros pelo genocídio praticado pela fatídica Tríplice Aliança (1864-1870)? Teria sido então uma negociação para resolver o impasse de Sete Quedas? Nada, foi diplomacia e da mesma maneira negociaram Yacyretá com os argentinos. O Paraguai, não fosse a miopia política do Estado, poderia facilmente se transformar numa nação rica, pois tem energia elétrica para o desenvolvimento industrial; as terras são muito férteis; há riquezas minerais virgens e incontáveis numa região praticamente inexplorada, o Chaco Boreal, e é, logisticamente, o entreposto comercial da América do Sul. No dia em que o Paraguai escolher um líder progressista e que ao mesmo tempo se identifique com as correntes populares, as mudanças serão muito rápidas.

  O que deploro no país vizinho é a morosidade em algumas ações, como a permissão do ingresso de armas e munições; o quase livre-trânsito de alguns cartéis e a falta de investimentos em assistência e controle territorial. Falta também a mão social. Se há brasileiros e gente de outros países explorando terras paraguaias, é em razão das anomalias de um passado político recente; do mesmo jeito que algumas multinacionais imperam no Brasil. Trata-se de uma questão da mais pura proporcionalidade.

 Não é agredindo e rebuscando a luta paraguaia pelos direitos, pela democracia, que o Brasil e os brasileiros aclararão as lacunas e os desentendimentos. Neste caso, não cabe apenas a diplomacia estatal e sim por parte de cada um dos indivíduos proprietários, investidores e demais pessoas que incrementam a vida em terras paraguaias. Cada caso é um caso e os abusos devem ser tratados na Justiça, nos meios governamentais, na base da conciliação. É mais fácil conciliar com um paraguaio do que querer brigar com ele. Se juntam, se unem, se articulam e a explosão de Tranquilo Favero é um exemplo disso.

Os brasileiros fazem uma leitura equivocada do Paraguai. Medem por Ciudad del Este, acreditando que a bagunça é generalizada em cada palmo de chão até Assunção. Não é assim. O governo de lá comete erros e equívocos, sobretudo quando permite a formação de células que, organizadas, podem gerar a guerrilha. E o que causa o fenômeno? Simplesmente a falta de atenção aos desassistidos e a Justiça eficaz, no transbordo das situações, como por exemplo, uma política rural assistida, com investimentos, financiamentos e incrementos tecnológicos.

O Brasil poderia lucrar e muito com o Paraguai. As parcerias estão aos olhos do mundo, mas parece que há um distanciamento ideológico. Para finalizar, escrevam e anotem: o dinheiro e a pressão dos brasileiros não são suficientes para vencer o senso de patriotismo daquele povo. Eles se convertem muito rapidamente em Nação quando são aviltados. Algo que nós brasileiros ainda não aprendemos fazer.

Pra finalizar, não se esqueçam que hoje, às 19h, no Restaurante Trapiche, acontece o lançamento da tradicional e deliciosa Canja do Galo Inácio. Prestigiem!

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