Risco de vida ou risco de morte e a “reinvenção da roda”
Por RedaçãoRogério Antonio Lopez
Já há algum tempo tenho observado que os meios de comunicação, quase que em sua totalidade, tem trocado a expressão “risco de vida” por “risco de morte”.
A razão dessa mudança estaria em que alguns “entendidos” do idioma, concluíram que a primeira expressão é equívoca, ou, simplesmente mudar por mudar, para ficar diferente.
Nada de misoneísmo, mas não é simplesmente porque é nova que a coisa deva ser melhor, às vezes ocorre o contrário.
Quem não se lembra de veículos automotores que não deram certo apesar de modernos e futuristas (o fórmula um de seis rodas), de instrumentos e produtos que depois de lançados não conseguiram se manter no mercado (magiclik dura 104 anos), isso ocorre porque nem tudo que é novo é melhor ( o fósforo de fricção, concebido em 1827 pelo farmacêutico inglês John Walker, é uma idéia muito simples cuja eficiência e eficácia jamais foram questionadas).
No caso do risco de morte, não se trata de discutir o “sexo dos anjos” mas de utilizar uma expressão que se encaixe melhor no contexto e na “realidade”.
Quando nascemos com vida temos apenas uma certeza: a morte. Tudo mais é especulação e elucubrações.
De outra banda, a vida está em constante risco, a qualquer minuto pode sofrer uma ocisão, e deixar de existir.
A vida é uma linha tão tênue que se for conjecturada com alguma profundidade (e constância), correr-se-á o risco de comprometer sua qualidade e longevidade.
Quando o sujeito sofre algum trauma ou qualquer situação específica que possa levá-lo à morte, ele está correndo risco de vida, ou seja, está passando por uma situação que potencializa o perigo de perder a vida, lembremo-nos de que a morte não é uma possibilidade (não admite risco), é sempre uma certeza, todos nós vamos morrer.
O risco de perder a vida, portanto pode ser iminente, quando existe uma situação concreta de perigo, ou latente, quando permanece escondido.
A assertiva risco de morte, é ilógica e contrária à própria razão de ser da expressão, pois como disse, a morte nunca é um risco, ela é uma certeza, já a vida pode sofrer um grau maior ou menor de risco.
Renomados professores da língua portuguesa lecionam que a expressão correta é mesmo risco de vida em função da consagração do uso.
Seja por questão lógica de hermenêutica ou consagração verbal, a expressão “risco de vida” é a mais adequada, tanto que alguns profissionais da imprensa (percebendo isso) já começam sutilmente a utilizar o enunciado “perigo de morte”, ou seja, outra variação da roda.
Rogério Antonio Lopez é delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu
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18/05/2012