Gazeta do Iguaçu online

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Thursday - 23/02/2012

Colunistas / dr-rosinha

Minha fantasia

Publicado em: 22/02/2012

DR. ROSINHA Tatuagem. Parece bobagem escrever sobre este tema. Bobagem? Sendo ou não, vamos adiante. Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Esqueci. Esqueci quando foi a primeira vez em que vi uma tatuagem. Não lembro sequer a idade que tinha quando, pela primeira vez, vi uma tatuagem. Por muito tempo, e confesso que ainda não sei se estou bem curado, achei as tatuagens uma coisa suja sobre a pele. Dependendo do tamanho, acho, até hoje, algumas delas sujas. Sujas com mais de um sentido, inclusive o de limpeza, para ser sincero. Às vezes são sujas no sentido de arte. Tatuagens enormes, rebuscadas,…

Deplorável

Publicado em: 14/02/2012

  DR. ROSINHA   No último final de semana, permaneci em Brasília, o que significa fazer coisas diferentes daqueles finais de semana em Curitiba ou em outra cidade paranaense. Quando estou no Paraná, sempre tenho uma agenda repleta de atividades —parte delas no interior—, o que me impede de fazer uma das coisas que mais gosto: ler. Ler foi a coisa que mais fiz.   Tirei a manhã de sábado para ler os jornais dos dias anteriores. Metade ou um pouco mais do noticiário é o mesmo. Pouco diferem entre eles em sua cobertura da política e da economia mundial (o ditador sírio continua massacrando…

Fukuyama e a flor de lótus

Publicado em: 07/02/2012

Em 1990, após a queda do Muro de Berlim, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) desintegrou-se. A URSS era a união de quinze repúblicas, tecnicamente consideradas independentes, porém o poder político e a economia eram totalmente centralizados. A queda do Muro pôs fim À Guerra Fria (disputa entre os EUA e URSS pela liderança mundial) e, consequentemente, à disputa mundial entre o bloco pró-EUA e o pró-URSS. Francis Fukuyama considerou este fato como o fim da história. Segundo ele, não teríamos mais a bipolaridade (EUA x URSS-Rússia) e, daquele momento em diante, o ocidente, sob a batuta norte-americana, teria a hegemonia política, econômica, midiática…

Diálogos

Publicado em: 31/01/2012

DR. ROSINHA No inicio deste mês, mais precisamente no dia em que entrei nas minhas merecidas (alguns podem achar imerecidas) férias, estava na agência BB Aeroporto, quando um cidadão, funcionário do aeroporto, entrou na agência. Estava eu lendo um romance e com uma lapiseira na mão para fazer anotações. Por mais de uma vez, li que riscar livros os estraga. É verdade que os deixa feios, cheios de riscos e com uma vida mais curta. Mas não consigo ler, seja o que for, sem riscar e fazer anotações às margens do texto. E justamente por estar com o livro e a lapiseira na mão é…

Tirar a máscara

Publicado em: 23/01/2012

DR. ROSINHA Andando pelas ruas e praças, notamos a presença de velhinhos sossegados e bonachões que caminham devagar, com cara de boa gente e jeito de consciência tranquila. Parecem carregar o peso do tempo nas costas e nenhum peso no coração ou espírito. Esta mesma sensação tenho, às vezes, ao ver filmes e fotos, em revistas ou jornais, de senhores idosos. O caro leitor ou cara leitora deve ter observado que escrevo este artigo com os personagens no masculino. Não citei as velhinhas com cara de gente bondosa, pois de uma maneira geral elas são bondosas. Ou estou enganado? Alguns fatos: 1. O Jornal “Página 12”,…

Sabor do gosto puro

Publicado em: 16/01/2012

DR. ROSINHA “En tiempos de globalización. En tiempos de crisis alimentaria. En tiempos sin tradición. Quebró Mcdonald’s”. É assim que começa o filme-documentário “Por que quebró Mcdonalds – Un recorrido por la comida boliviana”. Li a boa noticia que o Mcdonald’s quebrou na Bolívia no final do ano passado, mais especificamente no dia 30 de dezembro. Quando digo boa noticia não é no sentido de que a rede vai deixar de ganhar um pouco mais de dinheiro, ou que o modelo de fast-food esteja em descenso, ou ainda que o capitalismo sai perdendo, mas sim no sentido do que representa para a cultura. Os bolivianos…

Infinitamente longo

Publicado em: 10/01/2012

DR. ROSINHA Ao celebrar seus 80 anos, em setembro de 2010, a sueca Anita Ekberg, atriz e ícone do cinema, admitiu em uma entrevista que se sentia “um pouco sozinha”. Disse, na ocasião, ao jornal italiano “Corriere della Sera”, que “os dias são infinitamente longos”. Aqueles jovens que não têm no cinema nenhuma referência histórica não conheceram e nem conhecem a bela e formosa Ekberg. Ela marcou história no cinema. No filme “A Doce Vida” (dirigido por Fellini em 1960), atuou com Marcello Mastroianni. Agora, envelhecida e esquecida, vive num asilo perto de Roma. Termino de ler a notícia acima e me ponho a pensar…

Comprar, comprar e comprar

Publicado em: 03/01/2012

DR. ROSINHA Pelas origens, condições econômicas e valores de vida, nós, crianças no final da década de 1950 e início da de 1960, principalmente as do sitio, tínhamos poucos brinquedos. A maioria deles era construída por nossos pais ou, usando toda a criatividade infantil, por nós mesmos. Faço essa observação ao notar que hoje, no dia de Natal e no Dia das Crianças, há um consumo acrítico. Havia pouco diálogo entre pai e filho sobre as dificuldades econômicas e, mesmo assim, não sei a razão, havia uma certa “consciência” infantil de que não era possível ter muitas coisas. Provavelmente, ajudava a formar essa “consciência” o…

A nudez da cidade

Publicado em: 27/12/2011

A cidade (Curitiba) está nua ou seminua. Cheguei a esta conclusão esta manhã ao caminhar: poucos carros, pouco comércio aberto, enfim, pouco movimento. A cidade com pouca gente e pouco carro fica como que sem roupas, mostrando o que tem em suas entranhas. Imagino que, quanto maior a cidade, pior devem ser suas entranhas. Se nem toda cidade tem entranhas desconhecidas ou mal cuidadas ou mesmo estarrecedoras, parte delas tem. Há regiões em Curitiba que as entranhas são estarrecedoras, é onde impera a ordem do crime. Alguns negam, mas existem. Existe até toque de recolher feito pelo crime organizado. Se há muita gente na rua…

Diante da lei

Publicado em: 20/12/2011

 Com a proximidade de minhas férias, comecei a separar minha leitura, livros e revistas, para o período de descanso. De pé diante da prateleira, pego um livro, olho, folheio, separo ou não. Nesta lenta e prazerosa tarefa encontro “O Processo”, de Franz Kafka. Nesse livro há um capítulo denominado “Diante da Lei”, que descreve a busca de um trabalhador rural pela lei (Justiça). É um texto curto de 1914 que retrata a dificuldade de um cidadão comum para ter acesso à Justiça. De pé, diante da prateleira, reli-o e achei por bem publicá-lo aqui nesta coluna, pois mesmo tendo mais de 100 anos a situação reproduzida…

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