Colunistas / helder-caldeira
Educação Torta: enquanto alunos são esquecidos, professores são recompensados
HELDER CALDEIRA Em 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (hoje presidente “licenciado”!) anunciou, entusiasmado e festivo, a criação do programa “Um Computador por Aluno” (UCA), parte de um gigantesco projeto de inclusão digital do Governo Federal. Em dezembro do mesmo ano foi realizada uma licitação que consumiu R$ 82,5 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de 150 mil laptops que seriam distribuídos em 300 escolas públicas pré-selecionadas pelo Ministério da Educação (MEC). O UCA dependia também do interesse de investimentos e contrapartidas de governos estaduais e prefeituras e em 2010 foram colocados 600 mil novos laptops à disposição de…
As Novas Rolinhas dos Coronéis
Em 1977, o escritor baiano Jorge Amado brincou com o coronelismo vigente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Em sua obra “Tieta do Agreste”, o prefeito da pequena cidade era o coronel Artur da Tapitanga, que dava abrigo, comida e alfabetização a algumas meninas em troca de favores sexuais. Elas eram chamadas de pombas-rolas, as famigeradas “rolinhas”. Impossível esquecer a interpretação magistral do monstro sagrado Ary Fontoura (assim diria o Faustão!) para o velho Artur, na adaptação televisiva de 1989. Eis que, em pleno século XXI, os coronéis seguem no poder, agora disfarçados e apaniguados pelo populismo lulo-petista que abraça o Brasil há quase 10 anos….
Novos brados, outras retumbâncias
HELDER CALDEIRA* O advogado Paulo Ventura teve uma infância humilde em sua terra natal, a pequeníssima Canápolis, cidade com pouco mais de 11 mil habitantes localizada no Triângulo Mineiro. Estudou em escola pública e é apaixonado por música. Aos 17 anos foi para o Rio de Janeiro estudar Direito. Tão logo se formou, criou um grupo de profissionais para realizar atendimento jurídico gratuito em comunidades carentes e que findou por se tornar um modelo para o Brasil. Dr. Paulo acabou contratado para assessorar o Ministério da Justiça, demitido ao descobrir e denunciar uma rede de corrupção entre funcionários, políticos e empresários. Criou o blog “Sonho Intenso” e…
Sem-graceira
HELDER CALDEIRA Os anos que começam no domingo são sempre muito estranhos. Passamos o último final de semana comendo, bebendo, estourando fogos de artifício e festejando o sepultamento do ano anterior e logo chega a primeira segunda-feira da nova data, nos obrigando a cair na real. Isso é de uma “sem-graceira” sem precedentes. A propósito, foi exatamente no primeiro dia de 2012 que aprendi, no precioso solo histórico de Diamantino, no interior mato-grossense, essa expressão sensacional: “sem-graceira”, para dizer tudo que é intolerável, insuportável, enfadonho e molesto. “Sem-graceira” é ouvir diariamente que o Brasil está crescendo e se tornando uma das maiores economias do planeta,…
Anus velhos
É absolutamente normal nos tornarmos pessoas mais sensíveis nas redondezas do calendário de festas do final de ano. O clima contagiante do Natal e a proximidade de um novo ciclo são capazes apurar e depurar nossos sentimentos. Por outro lado, a sábia natureza vive a nos presentear com os mais extraordinários exemplos, cabendo a cada um de nós a sensibilidade de percebê-los e até, quem sabe, compreendê-los. Por óbvio, nos fins de ano estamos mais suscetíveis a essa observação mais à miúde de tudo que nos cerca. Eis que, na tarde da última quarta-feira de 2011, fui surpreendido por uma revoada de anus-pretos promovendo uma…
Homenagem à falta de vergonha
Chegamos, enfim, ao último trimestre de 2011. Daqui até o final do ano tudo irá girar em torno do Natal. Do comércio à Bolsa de Valores; da programação de TV ao shopping center; do preço da gasolina ao bacalhau; tudo estará adornado pelos motivos de Papai Noel. No saco, um proposital despertar do dragão da inflação, nuvens escuras de uma monumental crise econômica se agigantando no horizonte da América Latina e o discurso de que o Brasil, o eterno país do futuro, dá passos significativos rumo a algo que já é chamado de “Novo Desenvolvimentismo”. No bolso do brasileiro resta apenas a garfada de mais de R$…